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18.2.02


Sem fome, sem sono, sem medo, sem culpa, sem dor.

Sem ciúmes, sem pressa, sem ódio, sem juízo, sem apego, sem pressões, e sem controle. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha — e sensível. Sentindo-me amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Sentindo-me íntimo da transitoriedade. Buscando o equilíbrio no instável, no insólito, no inesperado... Sentindo-me passageiro numa viagem sem destino, percorrendo caminhos ainda não trilhados, ficando cada vez mais e mais perplexo, fascinado e encantado com os novos horizontes: amando as surpresas todas no momento mesmo em que acontecem.

Quebrando barreiras.

Ultrapassando limites.

Buscando — e encontrando — a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgado por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão... Podendo (é claro) ser julgado, mas condenado — jamais!

Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a delícia da substância viva das coisas loucas. Vivendo as maiores e as mais altíssimas paixões da minha vida, vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me estivesse cobrindo com as flores das flores.

Inundado de carinho e gratidão.

Com a cabeça nas nuvens — e o coração no infinito.

Portanto, o que mais posso querer da vida, além de amores breves e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora, óleo de amêndoas doces, rosas vermelhas, taças de vinho branco, muita liberdade, saúde, alegria, poesia, tesão, gostosura... e tempo livre para viver tudo isso?

O que mais posso eu querer da vida?

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